Rodízio nas estradas em feriados prolongados: por que não?

21 nov

Na semana passada o Brasil assistiu, mais uma vez, aos terríveis congestionamentos nas estradas: recordes em todo país especialmente na saída de São Paulo. Certamente o grande responsável é o aumento da frota de automóveis no país nos últimos anos por força dos estímulos concedidos pelos governos através da isenção de impostos e da ampliação dos prazos de financiamento. Os grandes congestionamentos deixaram de ser exclusividade paulistana.

Na década de 90, quando foi instituído o rodízio de veículos na região metropolitana de São Paulo, cheguei a propor ao então governador Mário Covas um rodízio na Rodovia Imigrantes, com o objetivo de demonstrar, à época, que uma medida como essa seria um dos meios mais eficazes de se evitar as longas horas impostas àqueles que aproveitam os feriados prolongados no litoral. Ainda que pudesse haver resistência em um primeiro momento, defendia que os benefícios aos cidadãos seriam perceptíveis ao longo do tempo e, com isso, a medida iria se legitimar após algumas experiências.

Hoje em dia entendo que cabe ao poder executivo a liderança desta iniciativa por uma razão óbvia: não há como, em um curto espaço de tempo, aumentar a infraestrutura rodoviária do país, além de que não se justificaria o volume de investimento necessário para essa finalidade, levando-se em consideração que, fora os dias de feriado prolongado, haveria capacidade ociosa nesta infraestrutura.

E por que o poder executivo?

O cidadão não tem escolha frente aos congestionamentos até porque em todas as horas do dia as estradas estão sobrecarregadas, de modo que um percurso de uma hora pode até decuplicar.

A única solução seria o gerenciamento desta demanda através de um escalonamento de horário em função do final da chapa. Com isso, ainda que não fosse permitido a determinado final de chapa circular em certos horários a economia de tempo no seu deslocamento demonstraria os benefícios dessa iniciativa.

Dependendo da viabilidade contratual poder-se-ia prever políticas econômicas de incentivo para o uso das estradas em alguns horários com a diminuição do pedágio. E o contrário: pedágio mais caro em horários em que o final de chapa não fosse o sugerido.

Com isso todos ganhariam.

Mas o mais importante a ser assinalado é que não se pode admitir a omissão dos governantes diante desses grandes congestionamentos, como se as soluções não fossem de sua responsabilidade.

Infelizmente os nossos governantes são intrinsecamente avessos a qualquer risco mesmo que esta postura traga ônus a todos os governados. Estes, por sua vez, padecem calados sem exigir a “imaginação criativa” dos primeiros. Essa sinergia maléfica imobiliza a todos, literalmente, nos congestionamentos…

Muitos críticos dessa proposta irão alegar o direito constitucional de ir e vir como já fizeram durante o rodízio paulista da década de 90. Dirão também que são bons contribuintes do IPVA e do pedágio. Mas estes argumentos e outros não são suficientes para deslegitimar a necessidade de se enfrentar o aumento vertiginoso da frota de automóveis pela insensatez das políticas de curto prazo, que prestigiam o automóvel em detrimento de outras alternativas de mobilidade.

Por que não tentar algo diferente?

Artigo publicado no jornal Brasil Econômico em 21 de novembro de 2013.

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