Os eventos climáticos extremos e suas catastróficas consequências

12 jan

Mais uma vez, com a chegada do verão, os noticiários já mostram imagens chocantes de chuvas intensas e alagamentos na cidade de São Paulo e em todo estado.

Insisto em escrever sobre o aquecimento global, pois tais fatos, ocorridos ultimamente, estão se tornando corriqueiros e comprovam as projeções científicas. Embora não possamos responsabilizar o aquecimento global diretamente pelas chuvas intensas, dada a sempre existente possibilidade de ser um evento natural, ficam cada dia mais evidentes as conseqüências deste fenômeno. O IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima, já alertava em seu último relatório de 2007 o provável aumento de enchentes e a modificação dos padrões de precipitação que afetariam inclusive o suprimento de água.

A cada novo estudo sobre mudança do clima se constata que os prazos para combatermos esse desafio estão cada vez mais curtos. No início de 2009, foi publicado no International Journal of Climatology um estudo sobre as futuras mudanças de temperatura e precipitação extremas na América do Sul, desenvolvido pelo Office Hadley Center e pelo INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O estudo projeta que as precipitações e secas extremas devem continuar a ser intensificadas em relação ao observado na segunda metade do século vinte.

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No entanto, não podemos atribuir somente ao aquecimento global a intensificação dos eventos climáticos. Fatores locais e regionais também exercem um papel importante no agravamento dessas chuvas, tais como a impermeabilização de grandes áreas da cidade e a supressão de porções de vegetação, que geram as chamadas “ilhas de calor” – áreas muito mais quentes do que aquelas nas quais existe vegetação.

Diante dessa realidade, revela-se fundamental a adaptação da sociedade aos impactos que são inevitáveis, em função do acúmulo dos gases já lançados nos últimos 200 anos. Coincidência ou não, os eventos extremos estão ocorrendo e a cada ano cresce o número de pessoas que são obrigadas a abandonar temporária ou definitivamente a zona onde tradicionalmente vivem, devido ao visível declínio do meio ambiente – por razões naturais ou humanas, perturbando a sua existência de tal maneira que a sua subsistência entra em perigo. Essas pessoas são os “refugiados ambientais”.

As negociações internacionais, no entanto, não estão acompanhando o ritmo com que as consequências do aquecimento global têm se mostrado. Saímos,  há duas semanas, da última conferência da ONU em Cancun sem um avanço consistente em relação a um novo acordo que possa substituir o Protocolo de Kyoto.

As diversas evidências da necessidade de mitigação e de adaptação em relação ao aquecimento global não têm sido suficientes para fazer com que os governos e a sociedade tratem do tema com a devida urgência. Precisamos resgatar a capacidade de planejar e transformar o Estado em indutor e promotor de políticas públicas, de modo a atender o interesse da população mais pobre no que tange às demandas sociais. Isto, na minha opinião, é desenvolvimento sustentável.

*Este texto foi publicado no Caderno 360 - coluna: Sinal Verde.

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