Parque do Povo, para o Povo.

13 set

Ontem quando visitei o Museu do Futebol me lembrei do caso do Parque do Povo. No início do séc. XX o futebol de várzea era a cara da cidade, fotos amareladas e nostálgicas mostram como era uma atividade importante para o lazer. Não só para o lazer, a várzea rendeu nomes importantes ao futebol profissional como Ademir da Guia, Rivelino e até Cafu.

Fabio Feldmann e Marina Silva no Museu do Futebol reunidos com jovens jogadores do Santos Futebol. Foto: Ricardo Lou/Futura Press

Fabio Feldmann e Marina Silva no Museu do Futebol reunidos com jovens jogadores do Santos Futebol. Foto: Ricardo Lou/Futura Press

Apesar do crescimento urbano o futebol de várzea resiste numa das áreas mais valorizadas de São Paulo, entre as avenidas Cidade Jardim e Juscelino Kubitschek. O tradicional reduto do futebol de várzea foi tombado em 30 de junho de 1994 o que garantiu a permanência de clubes como Marítimo, Canto do Rio e Flor do Itaim (por onde passou Cafu).
Depois de seis anos de luta, o CONDEPHAAT votou por unanimidade (com apenas duas abstenções) a favor da preservação do Parque, ameaçado pela especulação imobiliária da região. Foi o primeiro tombamento ligado às atividades de lazer.

História:
Em 1987 requisitei seu tombamento, em 1988 consegui a primeira liminar que proibia atividades que pudessem agredir a integridade do local. Mais tarde a Câmara Municipal aprovou uma lei que transformou aquela área em zona especialmente protegida (Z8-200/artigo 185 da Lei Orgânica do Município). Em 1993 fiz uma indicação ao então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso sugerindo o seguinte:
1) Que determinasse à Caixa Econômica Federal (um dos proprietários do terreno, junto com a IAPAS) a não negociação da área para outros fins que não o de preservação integral.
2) Que instasse à CEF e IAPAS a colaboração com a comunidade e órgãos públicos municipais e estaduais para a elaboração de um Plano de Uso do Parque, compatibilizando preservação ambiental, lazer e cultura. Apelos semelhantes foram enviados ao Prefeito, Governador e vereadores.

O tombamento veio justo a tempo. Pressões para a exploração da área começavam a se acumular em torno da CEF. Interessados insistiam na compra do local para a construção de um shopping center, hotel, apartamentos e escritórios. Com o tombamento, o Parque do Povo continua sendo do povo e contribuindo para a qualidade de vida da população.

Sem Comentários

Deixe um comentário